4 abr 2019

Entrevista – Autor Petrus Barbosa.

Salut mes amours! 🖊

Sabe aquela resenha que trouxe a alguns dias atrás do livro maravilhoso A Menina dos Olhos Negros? Então!

O Autor Petrus Barbosa nos deu a honra de responder algumas perguntinhas!

Aqui você vai descobrir um pouco do processo de criação e como é lançar um livro sem editora! Espero de coração que vocês gostem! Ah e para quem quiser comprar o livro só clicar aqui!! 😍

💙 Isa.: Oi ‘turu’ bom?
🖊 Petrus.: Tudo certinho.

💙 Isa.: Primeiro vamos as apresentações formais.. nome, idade e o que mais você quiser contar um pouquinho sobre você.
🖊 Petrus.: Olá! Meu nome é Petrus Barbosa, tenho 26 anos de idade e sou advogado, atualmente estudando para concurso. Nasci no interior de Pernambuco, em Santa Cruz do Capibaribe, e vivo no Recife desde os meus 10 anos. Eu escrevo desde os tempos de colégio, tendo só feito uma publicação em 2016. Nas horas vagas gosto de escrever, ler, jogar um pouco de vídeo-game, fotografar e arranhar no meu violino. Gosto de criar, imaginar e desenhar mundos, histórias e personagens. Minha mente se perde nisso…

💙 Isa.: O que te inspirou a começar a escrever?
🖊 Petrus.: Tenho memórias desde criança em que eu imagino histórias e mundos. Quando cheguei a certa idade, inspirado nos livros de ficção que eu lia, tendi a pôr para fora o que imaginava. Logo, foi assim que comecei a escrever, pois a imaginação transbordava na minha mente.

💙 Isa.: Com surgiu a ideia e porque A Menina dos Olhos Negros?
🖊 Petrus.: Em 2014 eu terminei o meu primeiro relacionamento e fiquei cabisbaixo. Como uma forma de contornar isso, comecei a escrever mais do que o usual, chegando ao ponto de gerar essa obra. Em meio as aulas do meu curso de Direito, eu comecei a rabiscar os feitos de uma menina travessa, inspirado nos causos que uma amiga minha contava da infância dela. O primeiro texto inspirado nela, por exemplo, é justamente o capítulo IX do livro, “O cair da árvore”. Eu lembrava da história em que ela tinha subido em uma árvore e tinha caído, e a partir daí criei quase uma fábula, e a ideia destrinchou…

💙 Isa.: O livro passa lições de vida importantes ao leitor, era essa sua intenção? O que quis passar para o leitor com o livro?
🖊 Petrus.: Sim, foi a minha intenção. Como eu estava em um estado de fragilidade quando escrevi o livro, acabei pondo pra fora meus pensamentos de como superar as dificuldades. O texto tem reflexos das minhas leituras que faço nos meus tempos livres. A ideia de que o mundo machuca vem das minhas leituras do filósofo alemão Schopenhauer, sobretudo em sua obra “As dores do mundo”. Porém, de antemão digo que discordo de suas afirmações, que são mergulhadas em um pessimismo grande, dando eu a minha visão de que as dificuldades e dores do mundo, se usadas de uma maneira otimista, geram um bom crescimento transformador.

Outra reflexão que coloquei que advém de pensamentos filosóficos são os três trechos soltos sobre o amor que coloquei, que se referem aos entendimentos do grego da palavra amor: éros, philia e ágape.

💙 Isa.: Os personagens… eles foram inspirados em alguém? E os lugares que se passam a história, surgiu como?
🖊 Petrus.: A personagem principal é uma mescla entre duas amigas. Eu diria que o sabiá reflete meu subconsciente, como muitos disseram, transmitindo aquilo que eu queria ser, do mesmo jeito que Cícero faz esse papel também. Rafael e os meninos do palacete são justamente as crianças que vivem ao relento nas grandes cidades, mergulhados na marginalidade e na violência urbana.

Quanto ao lugar, a parte rural me inspirei no bairro de Aldeia do município de São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife. A parte da cidade é uma mescla das cidades de interiores que conheci, desde da cidade de Lençóis na Bahia quanto as ruas íngremes de Taquaritinga do Norte, em Pernambuco.

💙 Isa.: O que você sentia conforme ia escrevendo o livro?
🖊 Petrus.: Às vezes é até engraçado quem me vê escrevendo. Por vezes, quando fico inspirado, eu fecho os olhos e entro em um frenesi inebriante, um momento de puro prazer em que eu murmuro as palavras e as escrevo, sem nem olhar para o papel ou para a tela do computador. Eu ponho pra fora tudo aquilo que está engasgado na minha mente, no meu imaginar… E foi assim ao escrever o livro da Menina.

💙 Isa.: Quais as dificuldades de se publicar um livro no Brasil?
🖊 Petrus.: Inúmeras. Em primeiro lugar o mercado editorial no Brasil é bastante limitante por diversos fatores, e dentre eles e o mais importante é que o brasileiro definitivamente lê pouco. Até mesmo os que tem uma graduação de Ensino Superior tem um costume quase inexistente de leitura diária… E isso torna bastante desanimador para quem está começando a escrever, pois o mercado literário não tem uma perspectiva de crescimento.

Um jeito de fugir da sorte de ser publicado por uma casa editorial é custear a própria publicação. Uma publicação independente não deve ser vista de uma forma vergonhosa, mas sim um sinal de autoestima e de cultura sendo compartilhada, mas isto deve ser feito com cuidado. Certas editoras fazem o trabalhar de ajudar na publicação independente, mas não recomendo, pois quando elas só fazem isso, na verdade elas estão fazendo trabalho de gráfica e não de editoração. Logo, para ter uma publicação independente requer um trabalho a mais além de escrever, fazendo coisas dignas de Editora por conta própria, se não quiser ter prejuízo econômico e moral.

💙 Isa.: Como foi o processo de arte e escolha da capa? Que por sinal é maravilhosa hihihi..
🖊 Petrus.: Aaaah… Foi bastante legal produzir a capa, no final das contas. A capa foi a única parte do livro que eu não coloquei a mão diretamente, por limitações de experiência em arte e design. A artista, a talentosíssima Talita Persi ( @talitapersi ), eu achei em uma antologia de histórias em quadrinho, em que no final havia uma seleção de ilustrações de autores variados e lá estava ela. Entrei em contato e ela produziu essa belíssima imagem que ilustra a capa.

A parte de design ficou à cargo de Marina Ávila (@marinalivros), que hoje é sócia da incrível Editora Wish, fazendo aquelas maravilhosas capas dos seus livros. Uma designer talentosíssima, diga-se de passagem.
Com essas duas talentosas mulheres foi que se chegou ao resultado que todo mundo elogia. Um orgulho, de fato. eheheheh

💙 Isa.: Qual foi a sensação de ver o livro pronto, finalizado em suas mãos?
🖊 Petrus.: Foi estranho. Depois de meses trabalhando no material, escrevendo e preparando para publicação, vê-lo fora do campo das ideias passa uma sensação estranha. Talvez foi a euforia de estar fazendo algo do tipo pela primeira vez, e vendo um resultado bom chega a satisfazer além das expectativas. Talvez a sensação se dê pela parte técnica, pois fora a capa, como eu disse, fui eu que diagramei e preparei o texto, fazendo o trabalho de autocrítica, e vendo o resultado final de todo esse trabalho traz um misto de felicidade e de missão cumprida.

💙 Isa.: Com certeza Cícero é um personagem misterioso porém é o narrador da história, pode falar um pouco mais sobre ele?
🖊 Petrus.: O personagem surgiu em uma tentativa minha de fazer tirinhas. A aparência foi inspirada por um morador de rua que vivia ao redor da minha universidade, que possuía um aparente desequilíbrio mental. A partir desse personagem real, moldei Cícero aos poucos, tendo um viés filosófico em suas ações. Quando comecei a passa-lo para a parte escrita das minhas criações, resolvi transformá-lo no narrador, como uma forma de não tornar tão pessoal a minha presença no texto.

Segue-se a primeira e única tirinha que fiz dele, quando ainda o seu nome era Héracles no lugar de Cícero:

💙 Isa.: O que Cícero escreve no papel para A Menina dos Olhos Negros?
🖊 Petrus.: No projeto original, a publicação era para ter vindo acompanhada de diversas ilustrações, que complementariam o texto escrito. Dentre eles era para haver uma o manuscrito desse texto que Cícero entrega para a Menina… Como os custos de publicação ficaram apertados, acabei cortando essa parte da ideia, e me esquecendo que essa parte da história não tinha sido repassado pra frente. Bem, segundo o rascunho, Cícero escreveu isso:

Da parede tão desgarrada
Nada mais no mundo poderia me expor.
Sou verdade, sou o que sou.
O que o mundo jamais recusou.

Mas quem para isso,
Sem ao menos se explicar
Iria findar em algo assim?

Contra a parede nos colocamos
E a verdade nós renegamos.
A exposição nós desejamos
Insalubres nós ficamos.

💙 Isa.: Você pretende publicar outros livros? Uma ideia… um livro contando a história de Cícero?!!
🖊 Petrus.: Tenho diversas ideias mais antigas do que a própria Menina dos Olhos Negros, envolvendo universos de Fantasia e Sci-fi. Com Cícero, seria algo seguindo a linha da Menina dos Olhos Negros, sendo ele sempre o narrador. Posso dizer que a próxima aparição de Cícero será no livro sobre o futuro do Rafael.

Aliás, outra curiosidade… Não é por acaso que Rafael seja o único personagem que Cícero sabia ao nome. Posteriormente ele o conhece pessoalmente, e nessa ocasião Rafael fala o próprio nome, coisa que a Menina não fez. Fiz isso pensando em uma obra futura…

💙 Isa.: Que tal nos dar de presente uma curiosidade do livro nunca revelada antes?
🖊 Petrus.: Mais uma? Eheheheh Ok, a personalidade da Menina eu peguei de outra personagem minha que fiz anteriormente, para outra história. Como acabei gastando esse tom meigo e inocente na Menina, eu vou ter de alterar vários pontos dessa história que ainda está por vir, para não cair no autoplágio. O nome dela é Sara e em breve vocês a conhecerão.

💙 Isa.: Para finalizar, o que você pode falar para os novos autores Brasileiros que estão escrevendo e tentando publicar?
🖊 Petrus.: Não desistam. Não pautem a sua arte no ganho financeiro. Escrevam por escrever. Façam arte por fazer arte. Se deseja tanto ver algo seu publicado, mas as editoras não te respondem, pense em uma publicação independente, mas sempre tendo em mente o prazer de ver as pessoas lendo o que é teu, e não pelo dinheiro. É o que recomendo…

Bom pessoal, com certeza foi uma honra descobrir mais da cabeça pensante por trás do livro, além de divertido Petrus nos presenteou com muuuuuuuuuita coisa legal e uma das que mais me deixaram ansiosa com certeza foi uma possível continuação com a história de Rafael, que como eu disse na resenha , foi um dos personagens que mais me tocou!

Só tenho que agradecer pela gentileza de Petrus! E vocês gostaram? 😍

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