21 abr 2021

Resenha – A Retornada.

Esse livro me pegou desprevenida, não esperava conhecer uma história tão cheia de dúvidas e incertezas de uma menina de 14 anos.

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Título Original: L’Arminuta. Autor: Donatella Di Pietrantonio.
Editora: Tag Inéditos – Março 2019 em parceria com a Faro Editorial.
Páginas: 176. Ano de Publicação: 2019.
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O livro conta a história de uma jovem que é devolvida por sua família de criação para a família biológica, narrada pela própria garota que não tem o nome citado, acho que para nos fazer sentir realmente sem identidade como a própria garota se sentia. Ao longo do livro percebemos a mudança da garota, os olhos infantis para algumas coisas se tornam maduros devido as experiências vividas na devolução.

A história se passa na Itália, entre uma cidade litorânea grande e um vilarejo nas montanhas, mundos completamente diferentes.

Até a metade do livro me senti muito confusa com o rumo da história, porém percebi a dificuldade da Retornada em pertencer a alguém, a algum lugar, em se sentir parte de uma mãe, assim como nos sentimos ao ler o livro.

“Com o tempo, perdi também a ideia confusa de normalidade e, hoje, ignoro de fato qual o lugar seja o de uma mãe. Isso me falta, do mesmo modo que pode faltar saúde, proteção, certezas. É um vazio Persistente, que conheço, mas não supero. Olhar para o nosso interior da vertigem. É uma paisagem desoladora que à noite tira o sono e fabrica pesadelos no pouco que deixa. A mãe que nunca perdi é a mãe dos meus medos.”

Adriana a irmã mais nova é um ser humano incrível, digo ser humano porque ela jamais foi 100% criança, sempre esperta e pronta para se virar, Adriana é tão madura na sua idade quanto uma mãe de família de 50 anos e tão sonhadora quanto uma criança de 05.

Todos os personagens tem suas histórias distintas, o irmão mais velho, Vincenzo com seus amigos ciganos misteriosos, a mãe com suas perdas e desafios e o pai que precisa cuidar de uma família muito grande com tão pouco dinheiro.

Embora seja um livro curto as histórias são muito bem ambientadas, descritivas e cheias de significados.

Uma das histórias que mais me encantou e chamou a atenção foi a de Dona Carmella, uma benzedeira que conhece de contos, magias e futuro, ela nos mostra outro lado da mãe biológica da Retornada, nos faz sentir as dificuldades que a mãe biológica tem e passa, fazendo com que a raiva que acabamos sentindo por ela, vire, pelos menos em partes, empatia.

“A pele do rosto esturricada com o sol de cem verões confundia-se com o caule da árvore atrás dela, tinham a mesma imobilidade, a mesma textura enrugada. Aos meus olhos, ambos pareciam eternos, a velha e o Carvalho.”

Uma coisa que não entendi e que confesso que me revoltou de uma maneira que eu não consegui lidar até o final do livro, foi a atitude de Adalgisa e seu marido, e não me agradou muito o jeito repentino que o livro acaba.

Porém conhecer a personagem principal, Adriana, Vincenzo, Giuseppe, Carmela e todos os outros personagens é uma viagem gostosa ao interior da Itália, onde descobrimos o dialeto falado pelos camponeses e como, embora seja tudo muito bonito e fértil no solo, também é muito sofrido.

A @taglivros me surpreendeu com esse livro de leitura rápida e ao mesmo tempo complexa, embora tenha alguns contras que me deixaram chateada, mas que não posso contar aqui, é uma leitura que vai te levar a um ambiente mágico na Itália, com parques itinerantes e ciganos fanfarrões, mostrando que a vida não é fácil, mas que tudo pode ser superado, e que com uma boa conversa e compreensão podem resolver qualquer problema.

12 Comentários

  • Eu gosto dessas simbologias,, não citar o nome da personagem que narra, que pode ser qualquer um, não conheço esse livro, pela resenha, me parece bem amarrado em sua proposta. Me chamou atenção tão poucas páginas ter tantos personagens.

    • Sim eu também adorei as simbologias, é tão profundo não citar o nome da personagem pra nos fazer sentir isso de não pertencer a ninguém que ela sente. E sim são poucas páginas e muitos personagens mas é um livro redondo e encantador.

  • no inicio da sua resenha eu fiquei meio ”conheço essa história” e quando cheguei reconheci, eu li esse livro pela edição da faro com o nome a devolvida, esse livro me deu sentimentos muitos semelhantes ao seus lendo, e foi desolador ver uma criança passando por isso, por não se sentir pertencente sendo apenas uma criança, e logo depois as dificuldades da familia, é uma obra que me toca até hoje.

    • Sim , eu infelizmente esqueci de citar que a Faro lançou ele com o nome de A Devolvida , uma falha minha. Mas que bom que você reconheceu o livro e teve sentimentos semelhantes aos meus , gostei de saber disso. E sim é uma obra que me tocou bastante também.

  • Uma das colunistas do nosso blog recebeu esse pra resenhar, e eu embora tenha gostado bem da resenha, e da forma como ela, assim como vc, fala a respeito da trama. Mas, tenho certeza que não é uma leitura que me faria bem… Não é um estilo que me cativa. Eu acabo ficando mais mexida que qualquer outra coisa.
    Adorei a foto!! Abraços

    • Realmente tem livros que mexem com a gente de uma maneira que não sabemos explicar , então é melhor nem nos arriscarmos tem muitos livros que eu fiz isso também , nem peguei para ler. Fico feliz que tenha gostado da foto de coração <3

  • Oi Isa, tudo bem? Lembro vagamente do lançamento desse livro e confesso que também fiquei curiosa para saber porque a família quis “devolver” a filha. Uma situação que levanta vários questionamentos, principalmente em relação aos relacionamentos familiares. Até que ponto alguém é maduro o suficiente para adotar uma criança? Em quais situações pode-se devolver uma criança? E o mais importante como ficará o psicológico dessa criança? Uma pena a história ter terminado tão rápido. As vezes os autores se entregam tanto a história aí percebem que o livro precisa terminar e trazem um final inesperado. Um abraço, Érika =^.^=

    • Oi tudo bem sim e você? Nossa todas essas suas questões eu também me fiz sabe, até que ponto as pessoas são maduras o suficiente para adotar uma criança e o emocional e os problemas do cotidiano de um casamento influenciam ou não na decisão na criação ? E o mais importante é como essa criança vai crescer psicologicamente como ela vai lidar com tudo isso , é um livro com certeza que nos faz refletir e muito. O final inesperado é um pouco ruim mas o livro em si vale muito a pena.

  • Certamente, pelo que você contou aqui, geralmente não se espera conhecer uma história assim tão composta de dúvidas e incertezas de uma menina de apenas 14 anos. Então, entendo o motivo de pegar você tão desprevenida. Gostei bastante de saber que mesmo sendo um livro curto, todas as histórias são bem ambientadas e descritivas, além de cheias de significados.

    • Sim sim , eu também fiquei surpresa por ser um livro curto mas bem ambientado e descritivo e também cheio de significados é um livro gostoso de se ler sabe , aqueles livros para se ler em um dia frio sei lá é um cenário que me imagino relendo ele novamente.

  • Uma trama ambientada na Itália, trazendo personagens ciganos e uma família com características tão atrativas, além da própria circunstância da protagonista, certamente é uma leitura que tem tudo pra me prender. Fico imaginando a situação de ser devolvida, de encontrar a mãe biológica… Enfim, deve ter sua carga dramática tbm.

    • Sim com certeza tem uma carga dramática bem alta , ver o que a menina passa os sentimentos dela a falta de pertencer a algum lugar sabe? É bem tocante, com certeza um livro que vale a pena ser lido.


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