29 jan 2019

Resenha – A Sutil Arte de Ligar o F*da-se.

📝Título: A Sutil Arte de Ligar o F*da-se: Uma estratégia inusitada para uma vida melhor.
📝Título Original: The Subtle Art Of Not Giving a F*ck. – A Counterintuitive Approach To Living a Good Life.
📝Autor: Mark Manson.
📝Editora: Intrínseca.
📝Páginas: 224.
📝Ano de Publicação: 1° Edição – 2017.
📝Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Eu fico particularmente envergonhada em começar essa resenha com o ‘eu nunca’ infelizmente estou me aventurando em novos tipos de leitura que eu realmente nunca havia tentado antes e por isso tudo é muito novo e surpreendente para mim.

No caso do livro A Sutil Arte de Ligar o F*da-se , posso dizer que foi um livro de leitura tão fácil que enrolei para termina-lo, pois queria realmente absorver tudo o que o autor Mark Manson, falava no livro.

“A cultura em que vivemos hoje nutre obsessivamente expectativas pouco realistas. Ser mais feliz. Ser mais saudável. Ser o melhor, superior aos outros. Ser mais inteligente, mais rápido, mais rico, mais bonito, mais popular, mais produtivo, mais invejado e mais admirado. Ser perfeito, incrível e cagar pepitas de ouro de doze quilates antes de beijar a esposa impecável e dois filhos perfeitos no café da manhã. Depois, ir de helicóptero para seu emprego extremamente gratificante, onde você passa os dias fazendo um trabalho importantíssimo que um dia ainda vai salvar o planeta.”

Uma das coisas que mais me cativaram no livro com certeza foi o humor de Mark, um humor que nos envolve e quando vemos estamos pensando ‘realmente eu penso exatamente desse jeito.’ O que em alguns casos nos fazem sentir até um pouco bobos, mas de um jeito bom e só as vezes do jeito ruim.

“Afinal de contas, nenhuma pessoa realmente feliz sente necessidade de ficar falando que é feliz para si mesma no espelho. Ela simplesmente é.”

Esse quote é uma parte do livro que me fez pensar ‘será que realmente sou feliz?’. Porque somos bombardeados  todos os dias por essa necessidade de ser feliz de se afirmar que somos felizes, mas segundo o livro e agora segundo minha opinião também o “ser feliz” tem que ser simples e leve, não podemos ficar nos forçando a ser feliz, temos que simplesmente ser, como o próprio Mark diz em outra parte do livro: “Ou você é ou não é.”

Em um certo trecho do livro, Mark cita uma porção de coisas que achamos que precisamos como por exemplo: “fazer uma viagem de férias melhor que as dos seus colegas , precisa comprar um móvel sofisticado para sua sala, precisa do tipo certo de pau de selfie.” (hihi)

E logo depois ele nos da essa citação:

“O segredo para uma vida melhor não é precisar de mais coisas; é se importar com menos, e apenas com o que é verdadeiro, imediato e importante.”

Tem como não se identificar? Não se ver ali tendo aquelas atitudes? Sentindo aquilo que ele fala? Bom eu não sei vocês, mas eu me identifiquei e demais. Uma das coisas engraçadas, porém, importante que ele cita no livro é o Círculo Vicioso Infernal e bom, aqui vai mais 2 citações para você entender melhor o que é isso:

“O Círculo Vicioso Infernal é praticamente uma epidemia, deixando muita gente estressada, neurótica e odiando a si mesma. Nos tempos dos nossos avós, quando ficavam na merda, as pessoas pensavam: “Puxa, estou me sentindo o cocô do cavalo do bandido. Bom, é a vida! Vou voltar para a minha lavoura.” E hoje? Hoje em dia, se você fica na merda por cinco minutos que seja, é bombardeado com trezentas e cinquenta imagens de gente absurdamente feliz com uma vida maravilhosa da porra, e é impossível não sentir que tem algo errado com você.”

“E aí você fica ansioso com sua ansiedade, o que causa ainda mais ansiedade. Um uísque, rápido”

Bom, quem nunca se viu ansioso e depois ansioso por estar ansioso e depois duas vezes ansioso, que atire a primeira pedra de gelo!

O que mais me impressiona é o “time” que o livro teve com minha vida, vou explicar algo para vocês; eu comecei a ler esse livro em uma noite de insônia depois de passar mais ou menos 7 dias triste por estar triste! (algo que para mim agora não faz mais sentido.) E por isso na minha vida esse livro foi incrível, com certeza um livro que além de vir na hora certa, um livro que eu precisava ler e acredite quando eu digo que todos precisam sim ler esse livro!

“O desejo de ter mais experiências positivas é, em si, uma experiência negativa. E, paradoxalmente, a aceitação da experiencia negativa é, em si, uma experiência positiva.”

Parem um minuto para pensar nessa frase e eu tenho certeza que quando vocês a compreenderem em sua totalidade, algo ai dentro de vocês também vai mudar.

Em uma de suas explanações o ator descreve a seguinte situação:

“É como na vez em que tomei ácido. Quanto mais eu andava em direção a uma casa, mais a casa se afastava. E, sim, usei minhas alucinações de LSD para fazer uma consideração filosófica sobre a felicidade. Foda-se.”

Primeiro que em nenhum momento eu pensei que eu deveria ir dormir pois já era 3 horas da manhã. E só Deus sabe o quanto eu ri até essa altura do livro, principalmente com essa citação! E essa parte me fez querer ser amiga pessoal de Mark pois ele parece ser o amigo mais engraçado da turma. Porque com certeza nessa madrugada depois de uma semana difícil ele foi.

“Enfrentar seus medos e suas ansiedades é o que vai fazer você criar coragem e perseverança.”

Uma das coisas que eu faço e que com certeza vocês também devem fazer, pelo menos a maioria das pessoas está escrito no livro dessa maneira:

“Se sair por aí se importando com tudo e todos sem critério algum, vai acabar se ferrando.”

Eu não vou falar pra vocês que depois desse livro eu não sou mais essa pessoa que não se importa com nada, pelo contrário eu ainda sim me importo com tudo e me sinto muito triste com muita coisa, mas hoje eu me importo menos com tudo do que antes de ler esse livro e com certeza com o tempo trabalhando essa ideia vou conseguir fazer isso cada vez mais…

“Existe um nome para pessoas que não sentem nem veem significado em nada: psicopatas.”

E isso não é mentira gente, absolutamente todo mundo se importa com algo, vê significado em algo, até aquela pessoa que você acha que não tem coração ou sentimentos, ela tem sim as vezes ela só não consegue identificar esses sentimentos, ter um amigo por perto e um especialista da psicologia para entrar em processo de terapia realmente é muito bom nesses casos.

“Este livro vai ajudar você a pensar um pouco mais claramente sobre o que elege como importante na sua vida e o que considera insignificante.”

“Devemos para de tentar resistir à dor e à perda, pois são inevitáveis.”

Com certeza o livro nos ensina a escolher nossas batalhas, saber aonde realmente colocar nosso tempo, nossa atenção, nossa tristeza e nosso choro, saber aonde e como vale a pena sofrer e nos importar, em como nos auto julgar, como rever nossa própria consciência e crescer com nossos erros.

“O fato é: quem quer estar certo em tudo para valorizar a si mesmo não consegue aprender com os próprios erros.”

“(Observação: em geral, as pessoas que morrem de medo da opinião alheia têm medo é de que pensem o mesmo que elas pensam de si mesmas.)”

Acredito que isso é uma observação de extrema importância, pois já ouvi muitas pessoas dizendo que ligar para a opinião alheia é coisa de gente superficial, quando no final das contas a pessoa só tem medo dos outros pensar o que ela pensa de si mesmo, porque uma pessoa com auto estima baixa ou outros problemas de cunho sentimental e psicológico em muitos casos é raro que ela pense coisas boas de si mesmas.

No livro encontramos histórias ótimas como a de William James e a de um soldado perdido na floresta do Vietnã, no meu caso essas histórias renderam ótimas conversas profundas sobre como nos sentimos em relação a nós mesmos e as perspectivas que temos do mundo ao nosso redor e de como nos encaixamos nele.

“Mesmo. Não se importar com nada ainda é se importar com alguma coisa”

“Lei da Evasão de Manson:
“Quanto mais alguma coisa ameaça sua identidade, mais você a evitará.”

Mark também explica que se ficarmos sentados apenas lamentando algo que não deu ou não dá certo, jamais vamos sair do lugar afinal:

“A ação não é apenas consequência da motivação; é também a causa.”

Esse principio é incrível, pois no meu caso sempre que estou desmotivada penso que se eu parar e ficar quietinha por um dia, assistindo Netflix, comendo pipoca e enchendo o nariz de coca e brigadeiro eu vou me sentir melhor e realmente posso até me sentir, mas sempre vou lembrar que estou desmotivada, sendo que o que é preciso fazer é simplesmente levantar e ir fazer alguma coisa.

“Essa seria uma verdadeira demonstração de amor: assumir a responsabilidade pelos próprios problemas e não jogar a responsabilidade para o parceiro.”

O assunto amor pelo próximo, também é abordado no livro e ele nos mostra com muita maturidade como é na ideia dele o real amor, como devemos construir nossa confiança pelo parceiro e mantermos ela firme como rocha, ideia com a qual eu concordo plenamente.

E por ultimo e não menos importante, o ultimo assunto do livro é a morte, desse capitulo eu não vou falar absolutamente nada, pois é um capitulo que nos toca de uma maneira muito particular, vou apenas deixar uma citação:

“acreditar que você é um componente que contribui para um contexto muito maior, que a sua vida não passa de parte do processo de uma grande produção ininteligível.”

Com certeza Mark Manson conseguiu me envolver de uma maneira que eu jamais imaginava que um livro, uma pessoa desconhecida fosse conseguir, já tenho Mark como meu melhor terapeuta, meu melhor confidente e meu melhor amigo. E só tenho a agradecer por tudo que esse livro me ensinou.

Foi acompanhada de algumas lágrimas dentro do carro em um dia chuvoso que terminei de ler esse livro, um livro que mesmo terminando falando da morte, me fez sentir muito mais viva.

“Todos vamos morrer, todos nós. Que circo” Só isso deveria nos fazer amar uns aos outros, mas não.  Ficamos apavorados e somos esmagados pelas trivialidades da vida; somos consumidos pelo nada.”

– Bukowski.